MARINE LE PEN “INELEGÍVEL”: OTANISTA NEOLIBERAL MACRON RECORRE AO BONAPARTISMO JUDICIÁRIO CONTRA A EXTREMA-DIREITA INSTITUCIONAL FRANCESA

INTERNACIONAL

Marine Le Pen, líder da extrema-direita institucional representada por Rassemblement National (RN), foi considerada culpada pela Justiça francesa em um caso de desvio de fundos do Parlamento Europeu e sentenciada a quatro anos de prisão e cinco anos de proibição de concorrer a cargos públicos. A mídia corporativa francesa relata que esta decisão judicial de conveniência significa que ela será impedida de concorrer a cargos públicos e não poderá participar da corrida presidencial de 2027, no qual era favorita. Como vemos o Otanista Neoliberal Macron copiou os métodos arbitrários de Lula e “Xandão” (STF) via o Bonapartismo Judiciário usados contra Bolsonaro no Brasil e que tornou Le Pen “inelegível”.

Lembremos que em junho de 2024 ,a perspectiva do RN, protofascismo institucional, ser trazido para dentro da gerência do Estado burguês, indicando o Primeiro Ministro em caso de triunfo, serviu de justificativa para levar grande parte da esquerda reformista a formar a Nouveau Front Populaire (NFP), uma coalizão de suporte imperialista composto por organizações pretensamente mais a “esquerda”, incluindo La France insoumise, e o Nouveau Parti Anticapitaliste (trotskizante), ou seja, uma “nova velha” Frente de Colaboração de Classes apoiada pela grande maioria das burocracias indicais francesas (CGT, CFDT, UNSA, FSU).

Naquela ocasião a extrema direita institucional francesa não pode comemorar sua vitória nas eleições parlamentares, o resultado foi claramente fraudado para dar vez a um possível governo de aliança entre o Centro Civilizatório neoliberal e a esquerda Social Democrata imperialista. Depois da segunda volta das eleições para a Assembleia Nacional, onde o espantalho da extrema direita foi utilizado para sedimentar a abalada democracia burguesa, nenhuma das três principais forças políticas capitalistas obteve a maioria absoluta dos assentos parlamentares e Macron seguiu controlado o processo sucessário.

Diante da decisão judicial, o atual líder do RN, Jordan Bardella, publicou no X, que Le Pen, sua mentora, foi vítima de um veredito “injusto”: “Hoje, não é apenas Marine Le Pen que está sendo injustamente condenada: é a democracia francesa que está sendo executada”, escreveu ele. “O destino democrático da nossa nação foi confiscado por uma cabala judicial escandalosa. O candidato favorito nas eleições presidenciais foi impedido de concorrer”, enfatizou Eric Ciotti, líder da União da Direita pela República, observando que o atual sistema político e judicial é “responsável pelo declínio da França”. O vice-primeiro-ministro italiano e líder do partido Liga, Matteo Salvini, chamou a decisão do tribunal de “declaração de guerra de Bruxelas”. “Um filme ruim que também estamos vendo em outros países, como a Romênia”, disse ele, referindo-se à proibição de Calin Georgescu, o candidato da oposição romena, de participar de futuras eleições.

Moscou declarou que “cada vez mais capitais europeias estão se movendo em direção à violação das normas democráticas “. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, chamou a decisão de “a agonia da democracia liberal”.

Le Pen cresceu no último período ao apoiar um discurso anti-imigração e com promessas de tirar a França da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A inelegibilidade de Le Pen irá beneficiar um sucessor para o atual presidente Otanista Emmanuel Macron, já que o próprio mandatário não pode mais concorrer por ter atingido o limite de mandatos.

A insatisfação generalizada com o Otanista neoliberal Macron, a completa integração da esquerda reformista ao regime da democracia dos ricos da IV República e o crescimento da extrema direita institucional são todos sintomas da crise política e institucional na França que copia os passos do que ocorre no Brasil com Lula, “poodle” da Governança Global do Capital Financeiro que assim como Bolsonaro no Brasil está rifando Le Pen na França.

Esta perspectiva de controlar o processo pelas costas da soberania popular é sem dúvida a opção preferencial da Governança Global do Capital Financeiro, ditando o destino das proximas eleições presidenciais de 2027, impondo sua vontade de quem de fato definirá quem será o novo gerente estatal da França à serviço das corporações imperialistas.

A questão programática central para a classe trabalhadora francesa é forjar a construção de uma alternativa revolucionária, passando bem ao largo das cretinas ilusões parlamentares como via para a conquista de alguma “mudança social” no terreno institucional. Armar o proletariado imigrante, nos bairros periféricos, com fuzis e um programa genuinamente classista, é a tarefa chave para os Marxistas Leninistas gauleses.