O gerente da Casa Branca que mais promove espetacularização midiática do que medidas efetivas para os EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva nesta quarta-feira impondo “tarifas elevadas” de comércio internacional a dezenas de países, afirmando que a decisão ajudará a “Reconstruir a economia de sua nação e proteger os americanos”. Entretanto as relações econômicas entre países, sejam imperialistas ou imperializados, vão muito além do o simples comércio internacional de mercadorias, por mais relevante que essa questão seja para os governos nacionais. Em plena etapa histórica de hegemonia do capital financeiro sobre as relações de produção, sendo que o conjunto da economia mundial é gerida por uma Governança Global de rentistas. Vender automóveis, soja ou minério de ferro para um outro país, não significa que os recursos monetários obtidos nesta transação comercial pertençam exclusivamente a nação exportadora, muito pelo contrário! Na realidade em um mundo onde os mega fundos financeiros apátridas, já controlam (total ou parcialmente) todos os ramos da economia, inclusive o agro-mineral, o lucro de um produto que o Brasil ou a China vende a outro país pode pertencer majoritariamente aos financistas que falam inglês ou yiddish (sem nacionalidade definida). É bem provável que uma grande parte do que o Brasil ou a China exportam, acabe “engordando” o caixa do “BlackRoc, ou de outro fundo similar que não carrega nenhum registro de “identidade nacional”.
Quando a “guerra tarifária” se dirige contra a China, alvo principal do trumpismo, a questão da Governança Global do Capital Financeiro fica bem clara, até mesmo para a esquerda reformista e apologista do chamado “mundo multipolar”. O “gigante asiático” que transitou de uma modesta economia socializada para um portentoso capitalismo estatal, recebeu trilhões de dólares de investimentos financeiros nas últimas três décadas, obviamente que essa vultuosa soma de capital, que transformou a realidade do país, não veio dos “cofres” dos pseudos “comunistas“ chineses que governam por lá até hoje. Ao instalar na China mega corporações industriais, farmacêuticas e tecnológicas, os rentistas apátridas visavam maximizar lucros com a extração da mais valia concentrada sobre o trabalho de um numeroso proletariado muito bem qualificado e “disciplinado” pela mão de ferro do governo burocrático maoísta. Observem que corporações como a Apple, por exemplo, concentram 90% de sua produção industrial na China, assim como a Siemens e várias outras milhares de empresas que apesar da origem, norte americana ou alemã, já não tem hoje uma nacionalidade definida. São corporações transnacionais que comercializam suas mercadorias pelo mundo e que tem como controladores acionários apátridas fundos financeiros de investimentos, onde seus verdadeiros “proprietários” nem sequer precisam “mostrar a cara”, a exceção de alguns “testas de ferro” apresentados pela mídia corporativa como os “homens mais ricos do planeta”. Não é coincidência que a maior fábrica de automóveis elétricos da Tesla, do trumpista Elon Musk (Sul-africano), fique exatamente em Xangai na China.
Para justificar institucionalmente as medidas “autocráticas” de Trump, a Casa Branca emitiu um comunicado explicando que o presidente declarou “emergência nacional” nesta quarta-feira, invocando “poderes extraordinários” para enfrentar os desafios econômicos e “fortalecer a segurança de seu país por meio da implementação de tarifas abrangentes e medidas comerciais”. O projeto político original do Republicano, interrompido no seu primeiro mandato pelo bloqueio sanitário imposto pelo Deep State, tem como base fundamental “libertar” a decadente burguesia industrial ianque da tutela sufocante e limitadora da Governança Global do Capital Financeiro, que em pleno esgotamento das forças produtivas do planeta, busca expandir seus horizontes econômicos para manter suas já reduzidas taxas de lucro devido a crise de superprodução. Não se tratava apenas de reproduzir o antigo modo neocolonial do velho imperialismo, mas sim de criar novos “imperialismos”, com mercados de alto padrão de consumo(ao contrário dos países imperializados), processo que teve sua gênese no pós guerra e que tem na China de hoje seu maior “troféu”.
Foi exatamente por essa necessidade de sobrevivência do capitalismo que emergiu uma Governança Global, soberana e acima dos Estados nacionais, inclusive superior ao imperialismo norte-americano. Contra essa Governança Global, o desnorteado Trump tenta se “rebelar” através da “guerra comercial”, expressando politicamente o próprio desespero da falida burguesia industrial estado-unidense. Não terá êxito algum, muito pelo contrário, está “atirando contra o próprio pé”. O “sonho” trumpista de trazer de volta aos EUA as gigantescas fábricas do seu antigo parque industrial, jamais se realizará, é um processo muito mais custoso para os fundos financeiros do que o pagamento das tarifas de importação que agora está impondo aos outros países.
As tarifas aduaneiras decretadas pelo direitista Trump não serão uma “libertação” para a burguesia ianque, mas apenas uma nova “escravização” da população pobre norte-americana, aumentarão a probabilidade de um novo aumento da inflação e do desemprego interno e de um aprofundamento na recessão econômica. Mesmo antes do anúncio das novas tarifas havia sinais significativos de que a economia dos EUA estava desacelerando a um forte ritmo. Os investidores financeiros já estão fazendo o balanço da “guerra comercial” mais estúpida da história republicana, vendendo ações. As antigas “Sete Magníficas” ações bursáteis norte-americanas já se encontram em um mercado em “viés de baixa”, ou seja, o seu valor caiu mais de 20% desde o final do ano passado. As chamadas “agências de risco”, como a Goldman Sachs, aumentaram a probabilidade de uma recessão este ano de 20% para 35% e espera-se agora que o crescimento real do PIB dos EUA atinja apenas 1% este ano. Em um cenário mais grave, que afete todos os produtos comercializados entre os blocos econômicos, as perdas poderão atingir 9%. Dependendo da conjuntura, as perdas do PIB poderiam variar entre 2% e 6% para os EUA e 2,4% e 9,5% para a UE. Em síntese está se gestando rapidamente um novo crash financeiro internacional. O proletariado mundial, especificamente sua vanguarda revolucionária, deve se preparar inicialmente para enfrentar os desafios da reconstrução das bases programáticas do Marxismo Leninismo, totalmente destruídas pela ação corrupta da exquerda domesticada pelo capital financeiro.